quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Dito e o Visto: Ode à Criação Libertária


O Dito e o Visto: Ode à Criação Libertária

(Apresentação Multimídia de Arte Experimental)

José Augusto Silveira

Data: 17/Janeiro/2014

Horário: 19 h

Local: Auditório da Livraria da Travessa (Shopping Leblon)

Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A

Tel: (21) 3138-9600 

Gratuito
Classificação Livre


O Dito e o Visto: Ode à Criação Libertária é um trabalho experimental de arte multimídia, onde a exposição das gravuras são acompanhadas por textos do mesmo autor, provocando uma mistura de poesia, filosofia, história do mundo, abrangendo inclusive a cosmologia.

A junção das imagens com os textos gravados pela voz do próprio autor pretende ultrapassar a barreira da apreciação visual da obra de arte sem, no entanto, prender o expectador, e sim, de outra forma, permitindo-lhe descortinar interativamente novas possibilidades de compreensão com o discorrer do texto numa viagem histórica da criação do cosmos e da vida.

O visto, construído em formas e cores, é pura percepção do artista em relação a seu próprio ser. O dito, realizado pelas palavras faladas de seus vários vistos, é a possibilidade de entendimento de seu olhar também para consigo mesmo.

A maioria das gravuras tem uma concepção referenciada na arte naif embora o trabalho gráfico como um todo não esteja preso inteiramente às características desse estilo artístico, desaguando em um naif contemporâneo em que são absorvidas influências da arte pop, surrealista e abstrata.

Animalidade Humana, 2012
José Augusto Silveira


Naif, pelo seu colorido e simplicidade gráfica; surrealismo, por suas formas baseadas na fantasia, no inconsciente e nos sonhos; e pop, quando aparece o figurativismo realista, configurando os costumes e os aspectos sociais de nosso mundo contemporâneo, como por exemplo, na imagem intitulada “Profecia Escatológica: a Flor de Hiroshima”, onde o cogumelo atômico empilha aos seus pés milhares de cabeças humanas, animais, carros, casas, barcos, tendo como fundo um céu sinistramente roxo-apocalíptico.   

O estilo de José Augusto envolve o preenchimento das cores de uma forma muito particular no sentido de que os espaços são cobertos de hachuras em caneta esferográfica e, depois, com retoques de lápis de cor e canetas hidrocor.               

Suas formas são normalmente sinuosas e orgânicas. Sobre essa aspecto, Silveira diz:
“Nós somos orgânicos, sinuosos e luminosos desde sempre. Nosso cosmos é colorido, é de luz, de curvas organicamente delineadas, e é um cosmos já realizado para nós e, ao mesmo tempo, por nós”.




Conceitos filosóficos da obra

A arte não pode ser reduzida a uma prestação de serviços. Ela deve ir adiante, questionando, provocando, como também, estimulando, cruzando e derrubando a barreira do conhecimento estabelecido. Ela deve promover o choque entre as barreiras existentes em torno do conhecimento racional e do sentir:  até mais que isso, criar uma mixagem entre o pensamento e o sentimento.

O trabalho não tem por objetivo entreter, e, sim, levar à reflexão de temas como a liberdade criativa nas artes, em contraposição a crítica à sociedade de consumo e à capacidade destrutiva do homem e, também, à reflexão da evolução humana e sua interface com a tecnociência.

Na crítica à sociedade de consumo há uma preocupação quanto a ausência do pensamento enquanto bem humano desenvolvido evolutivamente, e agora, substituído em grande parte pela pura ação instrumental (Escola de Frankfurt – Marcuse).


Por outro lado, os textos são influenciados também pelo pensamento de outros filósofos modernos tais como Heidegger, Nietzche e Foucault.



Quem é José Augusto Silveira


Nascido em 1954, na cidade de Tutóia no Estado do Maranhão. Veio para o Rio de Janeiro aos  dois anos de idade.

Silveira é dentista, artista plástico e interessado em conceitos de arte, filosofia e política. Foi o fundador e preside instituições como o Pensamento Ecológico e  o IIAN (Instituto Internacional de Arte Naif).

É sobrinho da pintora naif Elisa Martins da Silveira.

Quando criança presenciava reuniões na casa de sua tia do ‘Grupo Frente’, capitaneado pelo artista plástico Ivan Serpa, e tendo como participantes Aluísio Carvão, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, entre outros.


Texto: Álvaro Nassaralla