sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O mundo fascinante dos Pintores Naifs. (Sinopse do acervo do futuro Museu Internacional de Arte Naif do Brasil – MIAN)


Fábio Sombra
Retratando o MIAN - RJ


Antes da fundação do Museu Internacional de Arte Naif do Brasil – MIAN, seu fundador Lucien Finkelstein realizou a exposição “O mundo fascinante do pintores Naifs”, no Paço Imperial (Praça XV – RJ), de 15/dez/1988 a 19/fev/1989.

A exposição gerou o livro de mesmo nome, contendo a Sinopse do acervo do futuro Museu Internacional de Arte Naif do Brasil – MIAN), que viria a ser inaugurado em 1995, quando Lucien adquiriu o casarão do Cosme Velho - RJ.

Do livro em questão é que extraímos o seguinte prefácio, escrito por nada menos que Jorge Amado. Segue a transcrição:


 



“Uma paixão não se explica, vive-se. Assim é a minha paixão pela pintura Naif”, escreve Lucien Finkelstein.

Posso acrescentar que a paixão de Lucien pela pintura Naif explica o porque da exposição que agora se realiza, o livro sobre Miranda e o museu em organização, uma verdadeira cruzada para dar a pintura primitiva brasileira o lugar que lhe é devido no panorama de nossa arte e que, por preconceito elitista, sempre lhe é negado.

Sou daqueles que acham que a única pintura – falo de ´pintura, não de gravura e desenho – brasileira que possui caráter realmente nacional e se expressa numa forma decorrente de nossa cultura mestiça, é a pintura Naif, ingênua, nativa, primitiva – cada um escolha a designação que lhe pareça melhor. O resto – peço perdão mas é verdade – é escola de Paris transposta para a circunstância brasileira.


Lia Mittarakis
1983


Não temos, como a têm os mexicanos, uma escola nacional de pintura, somos cópia, por vezes excelente, por vezes com a marca da cor e do sentimento brasileiro, mas copia da Escola de Paris. Excetuam-se os primitivos e primitivos são alguns dos maiores mestres brasileiros , se bem se oculte tal característica como coisa feia, menor, limitadora.

Sei de artistas primitivos brasileiros que se sentem profundamente ofendidos se alguém chama a atenção para a qualidade Naif de sua pintura. Que se há de fazer? O mundo é assim, feito de vaidades tolas, de equívocos culturais.

Felizmente existem pessoas como este colecionador Lucien Finkelstein, capazes de perceber e de se apaixonar pela criação extraordinária dos primitivos brasileiros. Começou por colecionar, escreveu livro, agora expôe quadros dos mestres e prevê para breve a criação de um museu que reúne o melhor de nossa pintura Naif, ou seja de nossa melhor pintura brasileira. \Merece, assim, nosso apoio e nosso aplauso.

Jorge Amado

Fonte: “O mundo fascinante dos Pintores Naifs. (Sinopse do acervo do futuro Museu Internacional de Arte Naif do Brasil – MIAN)