quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sérgio Vidal


[Sérgio Vidal da Rocha]
Rio de Janeiro - RJ, 1945

A vontade de pintar apareceu quando, ainda adolescente, visitou o atelier do Heitor dos Prazeres, sendo arrebatado por uma inspiração imediata.


Trabalhou em diversas profissões até conseguir se dedicar apenas à pintura.

Descrevemos o estilo de Vidal como um purista do naif. Alguns chegam até a classificá-lo como realista popular. Mas, na verdade, seu trabalho tem se não todas, quase todas as características de um naif clássico.

Vidal pinta seu 'habitat', os momentos de lazer e de trabalho do homem popular. Isso fica claro nas telas onde revela o ambiente de trabalho em uma marcenaria.




Ou os grandes salões de sinuca do Rio antigo e que estão voltando a moda.





 




Ou, ainda, uma roda de samba em família, com a dona da casa fazendo bolinhos de aipim.

"Bolinho de aipim"Óleo sobre tela
80 x 100 cm
 


Chegou a pintar o que depois ficou conhecido  e ganhou repercussão internacional como "surfe ferroviário" e seus praticantes como "Surfistas de trem", expressão consagrada na música de Jorge Benjor chamada W Brasil (Chama o síndico).





Antonio Houaiss diz:

"Na pintura de Vidal o que me encanta é a sua fidelidade ao seu universo vivido: o flagrante realista dos seus companheiros e companheiras, nos bons (e raros e sofridos) instantes de folgas (que para eles não há lazer, palavra tão prestigiosa agora para uma certa sociologia, uma certa administração e uma certíssima ideologia da criação de ilusões e venda de seus produtos de consumo aliciado)".



A ligação de Vidal com a música o colocou no grupo 'Sambistas Pintores', ao lado de Nélson SargentoWanderley Caramba e Heitorzinho dos Prazeres (filho).  










 


O trabalho do feirante, dos garotos vendendo jornal nas ruas, os homens conversnado dentro de uma oficina, assim também como um dia de labuta na marcenaria, estão todos perfeitamente encenados realisticamente por Vidal.  

Houaiss, abaixo, descreve com perfeição o espírito do trabalhador, a solidariedade do brasileiro e seus momentos de folga:

"Mas o trabalho, a carência e a solidariedade ali estão, na esperança de serem esperança, alegria e abundância: dia virá.

Folga e labuta, eis os temas que voltam, em ambientes internos e externos, de quase geométrica perspectiva aérea, de tão despojada descrição, em que não há irrelevâncias nem inoportunidades: cada pormenor é um pormaior para a configuração de um mundo imediato, tão presente no cotidiano, que foge e na memória, que esquece".

 






 
Por fim, o intelectual Antonio Houaiss entra a descrever o estilo de pintura e a função poética da obra de Vidal:

"Há o colorista, ademais do figurativista.E há um sonho concreto, feito de ímpetos de aqui e agora, igualitário e confraternalmente.

E, realmente, por que prorrogar indefinidamente a humanidade da humanidade - perguntam as telas de Vidal (embora ele mesmo evite perguntar, como o coração do Poeta, que não pergunta nada).

Acompanho Vidal há muitos anos e o vejo crescer na sua visão autêntica, que fixa e propõe criaturas humanas e relações humanas mais humanas. Eis um poeta do ver."


Texto: Álvaro Nassaralla 




Biografia
Começou a trabalhar aos 12 anos de idade e com 25 anos já havia exercido atividades profissionais em diversas áreas como metalurgia, eletrônica, fotografia, contabilidade e comércio.

Filho de uma organista da Igreja e de um regente do coral, Vidal interessou-se pela música, especialmente pelo violão.

A curiosidade pela pintura surgiu ainda na infância quando Vidal encontrava seu vizinho pintor andando pelas ruas com um cavalete e uma tela. Mas começou a pintar após visitar, em 1963, o ateliê de Heitor dos Prazeres, pai de um amigo de infância. Segundo o próprio artista: “o ateliê ficou gravado na minha sensibilidade. Ele (Heitor dos Prazeres) estava terminando um quadro, e aquela emoção me envolveu”.

Em 1965, Vidal finalizou as suas primeiras telas.

Até 1971, o artista conciliou a vida de pintor com outros trabalhos, mas a partir desse ano passou a se dedicar exclusivamente à pintura. Foi em 1974, no entanto, quando participava de uma exposição em São Paulo, que recebeu seu grande incentivo: o artista modernista Di Cavalcanti adquiriu uma obra do jovem pintor e o levou até seu ateliê. A sua primeira exposição coletiva ocorreu em 1972 e a primeira exposição individualaconteceu em 1981, na Galeria Brasiliana, em São Paulo.

Em 1991, cursou Filosofia na UERJ, interrompendo o curso no quinto período.

As obras de Vidal são consideradas uma crônica dos costumes, um retrato do cotidiano do povo brasileiro.

Fonte: Museu Afro Brasil

 
 
 


 
 
 
 








Texto de Antonio Houaiss - RJ, junho de 1982 - Fonte: Galeria Estação

Fonte das Imagens: Grupo Sambistas Pintores
 


Veja Nelson Sargento (Grupo Sambistas Pintores) 

Veja, também, Wanderley Caramba (Grupo Sambistas Pintores)