sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Naif para alertar sobre o que já não nos toca como deveria


Texto por Álvaro Nassaralla


José Augusto Silveira é um artista naif em constante busca da verdade. É bem verdade que ele sabe que nunca vai encontrá-la! Mas assim é o ato criativo: propor novas perspectivas, alertar para o que já não nos toca como deveria, romper com o que está estabelecido.
 
Dessa forma, sua recente produção aponta para o lado da tragédia nuclear acontecida com o Japão durante a segunda grande guerra mundial.

Abaixo vemos a obra intitulada "A demência nuclear humana", que representa o cogumelo atômico que vitimou cerca de 200 mil pessoas.



José Augusto Silveira / 2013
"A demência nuclear humana"


Técnica mista sobre papel



O artista nos diz: "Após a hecatombe nuclear no Japão (1945), nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, só nos resta levar a vida, ou melhor, levar a morte como brincadeira para tentarmos superar aquilo que não deve ser esquecido".
 
Por isso, na sequência, criou a obra abaixo intitulada "Brincando com a morte". Nela, Silveira pretende mostrar como o homem brinca de deus, mas trabalhando com cores alegres para suavizar a mensagem que quer passar.


José Augusto Silveira / 2013
"Brincando com a morte"

Técnica mista sobre papel


Para fechar o tema, encontrei um poema infantil de Walter Nieble de Freitas desmistificando o esqueleto humano, explicando suas principais funções e formação.


O esqueleto

Por causa de um esqueleto
Corri a não poder mais:
Assustado entrei em casa
E contei tudo a meus pais

“O esqueleto, seu bobinho,
Nunca foi assombração:
É ele um conjunto de ossos
Dispostos em armação.

Sua função principal
É manter o corpo ereto;
Tem cabeça, tronco e membros
Todo esqueleto completo.

Preste, pois, muita atenção,
Guarde bem, jamais se esqueça:
Somente de crânio e face
Se constitui a cabeça.

O tronco tem só três partes,
Vou dizer-lhe quais são elas:
A coluna vertebral,
O esterno e as costelas.

Os membros são conhecidos:
Os de cima superiores;
E os que servem para andar,
São chamados inferiores”.


Até agora não compreendo
Como é que fui tolo assim:
Correr de um pobre esqueleto
Tendo outro esqueleto em mim!



Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.

Autor do poema: Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.