quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Djanira


 [Djanira da Motta e Silva]

Avaré- SP, 1914
Rio de Janeiro - RJ, 1979

Pintora,desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira



Djanira e o cão Horácio

FOTO: Djanira.
Catálogo da Exposição do Museu Nacional de Belas Artes
(pág. 19); São Paulo, 1976.





"O circo", 1944
óleo s/ tela
97 x 117,2 cm


Djanira é uma das artistas mais representativas da arte contemporânea e destacadamente da arte naif brasileira e mundial. Destaca-se, também, por ser um autêntico ícone na expressão artística do imaginário popular brasileiro. 



"Serradores", 1959

óleo sobre tela, c.i.d.
136 x 131 cm

Coleção Roberto Marinho (Rio de Janeiro, RJ)
Reprodução fotográfica autoria desconhecida



Nascida em Avaré, estado de São Paulo, mudou-se par o Rio de Janeiro na década de 1920 para continuar o tratamento de uma prematura tuberculose que lhe apareceu aos 23 anos de idade.
 
Em 1930, aluga uma pequena casa no bairro carioca de em Santa Teresa, instalando uma pensão. Um de seus hospédes viria a se tornar o primeiro professor e incentivador de sua carreira. Trata-se do pintor Emeric Marcier.


Djanira também passa a frequentar, à noite, o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Segundo a Wikipedia, é nesse período que "trava contato com o casal Árpád Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, com Milton Dacosta, Carlos Scliar, e outros que vivem em Santa Teresa e frequentam o meio artístico".



“A Festa do Divino de Paraty"
Painel que pintou na casa do Sr. Américo Marques da Costa
na rua Fresca, em Paraty - RJ
Fonte: http://www.paraty.com/?p=2842


É esse ambiente artístico e inspirador que a estimula a expor, em 1942, no 48º Salão Nacional de Belas Artes. Daí para frente, a artista plástica avança rapidamente em sua carreira. A Enciclopédia Itaú Cultural descreve a trajetória de Djanira:


"No ano seguinte (1943), realiza sua primeira mostra individual, na Associação Brasileira de Imprensa - ABI. Em 1945, viaja para Nova York, onde conhece a obra de Pieter Bruegel (ca.1525 - 1569) e entra em contato com Fernand Léger (1881 - 1955), Joán Miró (1893 - 1983) e Marc Chagall (1887 - 1985).

De volta ao Brasil, realiza o mural Candomblé para a residência do escritor Jorge Amado (1912 - 2001), em Salvador, e painel para o Liceu Municipal de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Entre 1953 e 1954, viaja a estudo para a União Soviética.

De volta ao Rio de Janeiro, torna-se uma das líderes do movimento pelo Salão Preto e Branco, um protesto de artistas contra os altos preços do material para pintura.

Realiza em 1963, o painel de azulejos Santa Bárbara, para a capela do túnel Santa Bárbara, Laranjeiras, Rio de Janeiro (imagem abaixo).

No ano de 1966, a editora Cultrix publica um álbum com poemas e serigrafias de sua autoria.

Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, realiza uma grande retrospectiva de sua obra".





 "Painel de Azulejos Santa Bárbara" (1958)
Fonte: Cerâmica no Rio


Retrato [Jovem], 1942
óleo sobre tela, c.i.d.
45,3 x 33,3 cm
Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Reprodução fotográfica autoria desconhecida


Djanira descobre o Brasil


Filha de descendentes de austríacos com Guaranis, Djanira começou a pintar com tons escuros e sombrios. No entanto, somente depois de retornar dos Estados Unidos, e como bem diz o site do Ministéria da Cultura, ela "deixou a sua arte ‘surrealista romântica’ para dedicar-se ao Brasil. Fez várias viagens pelo interior, conhecendo os costumes e movimentos folclóricos do povo, enriquecendo sua temática e exploração de cores, composição e formas".



Estudo definitivo para o painel decorativo
"Indústria Automobilística"
do navio Princiesa Isabel da Companhia de Navegação Costeira", 1962 
têmpera s/ papel
57,5 x 124,3 cm
Fonte da imagem: http://mavma.blogspot.com.br/2011/09/foto-djanira.html


Uma de suas viagens de 'pesquisa' se deu ao Maranhão, no fim da década de 1950, onde conviveu seis meses com os índios Canela, pintando-os a seguir.

Outra de suas pesquisas de campo, já na década de 70, é quando desce às minas de extração de carvão em Santa Catarina e, também, viaja à Itabira para conhecer a extração do ferro.

Depois de sua fase sombria, a partir dos meados da década de 40, Djanira assume sua brasilidade e "sua palheta se diversifica, com uso de cores vibrantes, e em algumas obras trabalha com gradações tonais que vão do branco ao cinza claro. Apresenta em seus tipos humanos uma expressão de solene dignidade" (Wikipedia).

Ela ainda trabalha com xilogravura, azulejos, gravura em metal e tapeçaria. 

 
Fundado em 31 de maio de 2000, o Centro Cultural Djanira da Motta, em Avaré, sua cidade natal, funciona em meio a um bosque na área urbana. Em 02 de abril de 2008 é criado o Memorial Djanira da Motta e Silva, com mostra definitiva de "objetos pessoais, obras e material de referência". 

Texto por Álvaro Nassaralla