segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

José Altino

[José Altino de Lemos Coutinho]João Pessoa - PB, 1946


Xilogravador, pintor e crítico de arte (ABCA). 


Estuda em João Pessoa com os artistas Arthur Cantalice e Gilvan Samico e em Salvador frequenta o ateliê de Emanoel Araújo (anos 1960). 

No Rio de Janeiro, estuda na Escolinha de Arte do Brasil e freqüenta a Escola Nacional de Belas Artes, como aluno de Adir Botelho (1969). 


De 1970 a 1978, leciona gravura e participa de projetos da Escolinha de Arte do Brasil. 

Em 1979 volta para João Pessoa, trabalha como crítico de arte na imprensa e na Coex/UFPB. Nesta época, é eleito presidente da Associação dos Artistas Plásticos Profissionais da Paraíba-AAPP/PB e Assessor da Secretaria Estadual de Cultura. 

Pasto e Repasto, 1979 
Xilogravura 
28,5 x 40 cm [mancha]
46 x 63,3 cm [papel] 
Coleção do Artista 
Fonte: Itaú Cultural

Seu trabalho em xilogravura compreende a relação com a literatura de cordel. 

Em 1980 volta ao Rio e participa, no ano seguinte, do Grupo Armação Oficinas de Arte no Projeto Fotografia – Ponto de Vista da Criança, promovido por Kodak/Funarte/MinC.
Retorna para João Pessoa. 


Os Irmãos, 1973 
Xilogravura 
49,9 x 36,8 cm [mancha]
66,4 x 48,4 cm [papel] 
Coleção do Artista 
Fonte: Itaú Cultural



Exposições individuais

- Sala Goeldi (Rio de Janeiro, 1970); 
Palácio Foz (Lisboa/Portugal, 1970); 
Piccola Galleria (Instituto Italiano Di Cultura, Rio de Janeiro, 1972); 
Galeria Divulgação e Pesquisa (Rio de Janeiro, 1976 e 1980); 
Galeria de Arte Pedro Américo (Coex/UFPB, 1977); 
Galeria Batik (João Pessoa, 1979); 
Galeria Gamela (João Pessoa, 1982); 
Galeria Sérgio Milliet (Funarte, Rio de Janeiro, 1982); 
Centro Cultural Cândido Mendes (Rio de Janeiro, 1985); 
Centro Cultural São Paulo (1985);
Galeria Gamela (Filial do Hotel Tambaú, João Pessoa, 1986). 


Exposições Coletivas


I Salão de Artes Plásticas da Ilha de Santa Catarina – Prêmio (Florianópolis, 1972); 


II Mostra de Artes Visuais do Estado do Rio – Prêmio Guignard (Niterói-RJ, 1973); 


XXIV Salão Nacional de Arte Moderna – Prêmio (Rio de Janeiro, 1975); 


III Concurso Nacional de Artes Plásticas da Caixa Econômica de Goiás – Prêmio (Goiânia-GO, 1977); 


II Mostra de Gravura da Cidade – Prêmio (Curitiba, 1979)


I Salão Sesc de Gravura – Prêmio (Sesc Tijuca, Rio de Janeiro);


IX SAMAP – Prêmio (Casarão 34, ). 


Expôs na Cooperativa Árvore (Porto/Portugal, 2002), onde também ministrou curso de xilogravura.


Consultor da mostra Xilogravura: do cordel à galeria (Funesc, 1993; MASP, São Paulo, 1994). 


Ministra aulas de Xilogravura em seu ateliê (Atelier Miramar, João Pessoa). Em 2005 realizou o projeto Gravura para todos: da escola à galeria [com Dyógenes Chaves] (FIC Augusto dos Anjos/Telemar).

Fonte: Dicionário das Artes Visuais na Paraíba



Madeira esfaqueada, impressão que fica!
Por Álvaro Nassaralla


José Altino fez escola em gravação no Brasil. Muitos dos gravadores hoje consagrados já foram seus alunos. 


Nascido na cidade baixa de João Pessoa (PB), o artista está em plena plena atividade, sendo premiado na Bienal de Arte Naif do SESC de Piracicaba (2012) com as obras 'Macunaíma e Canário da Terra' e 'Rainha do Miramar' (imagens abaixo).


Macunaíma e Canário da Terra
Xilogravura
25×35 cm.

Premiada na  Bienal de Arte Naif do SESC de Piracicaba (2012)
Fonte: SESC/SP

Rainha do Miramar
Xilogravura
25×35 cm.
Premiada na  Bienal de Arte Naif do SESC de Piracicaba (2012)
Fonte: SESC/SP

Contador de estórias por tradição nordestina, Altino vai imprimindo suas séries xilográficas baseadas na cultura popular, na alimentação criativa da literatura de cordel e no rico acervo do universo rural e imaginário da cultura nordestina.

A xilogravura vale-se da escultura em chapas de madeira para servirem de bases de impressão a moda de 'carimbos'. 
Mas o artista não ficou parado no tempo. José apresenta seus trabalhos originais e também impressos a laser. Da mesma forma que na xilogravura, as séries a laser também são numeradas (limitadas a uma quantidade estipulada) e assinadas. 

Animais, rostos humanos de perfil, o sol do sertão, reinterpretações do paraíso com Adão, Eva e a serpente, enfim, toda uma gama de temas vão surgindo no papel impresso. Mas antes, elas precisaram ser criadas na madeira. E esse processo é muito bem, e poeticamente, descrito por Pedro Osmar, artista multimídia paraibano, no blog 'Xilogravuras para todos':

(...) madeira esfaqueada, madeira cortada, arranhada, madeira entintada, gerando gravuras de papel (a arte de papel servindo de suporte de uma arte pobre a decorar as capas dos folhetos de cordel pelo mundo inteiro) (...) 

Saber trabalhar a madeira, os espaços entre as partes das figuras, antecipando a iluminação que vão tomar quando impressas, eis talvez o verdadeiro segredo da xilogravura tão bem representada pela técnica 'limpa' de José Altino.