sábado, 7 de julho de 2012

Aparecida Azedo


APARECIDA RODRIGUES AZEDO

Brodowski - SP

(1929-2006)

Nascida em Brodowski (a mesma cidadezinha de Portinari), Aparecida Azedo (1929-2006) desde pequena manifestou interesse pela arte. Aos 17 anos, pintou a primeira tela com tinta de parede.




Muito jovem, depois de ler um livro sobre a então URSS, filiou-se ao Partido Comunista, trabalhando em agitação e propaganda.

Mesmo depois de passagens pela prisão, manteve acesa a vocação de pintora.

"Centenário de Drumond"
Acrílica sobre tela, colada em eucatex, 87cm/77cm, 2002. Publicado no livro de poesias de Carlos Drummond de Andrade por ocasião da comemoração do centenário do poeta.



Em 1950, veio para o Rio de Janeiro, freqüentando a casa de Graciliano Ramos. Casou-se com o jornalista Raul Azedo.

Ex-aluna de Ivan Serpa, fez sua primeira exposição em 1973.

"Últimas charretes e lampiões em São Paulo"Acrílica sobre tela
23 x 28 cm
2004

Algumas das suas obras estão em exposição permanente no Museu Internacional de Arte Naïf: Rua Cosme Velho, 561 — Rio de Janeiro (museunaif.com.br).

A seguir, texto do historiador Ivan Alves Filho - Dez / 2005
.
A história de vida da pintora Aparecida Azedo — inicialmente objeto de um livro meu (A pintura como conto de fadas - 
Fundação Astrojildo Pereira, 2005) e agora levada às telas pelo cineasta Zelito Vianna ("Uma vida em 24 quadros") — é, por si só, uma obra de arte.

"Caçando índios"
Acrílica sobre tela
23 x 28 cm

Com efeito, sua trajetória humana é das mais densas e singulares que conhecemos. Senão vejamos. Bóia-fria aos dez anos de idade, operária de fábrica aos 13, comunista desde os 16, Aparecida enfrentou clandestinidades e inúmeras prisões, criou seis filhos e foi artista plástica autodidata reconhecida internacionalmente. 





Vale dizer, ela foi a soma de todas essas experiências, tendo sido uma mulher altamente representativa por tudo que logrou realizar no plano social.

Sua arte — feita de cores vibrantes e linhas sensuais — é a materialização da sua própria vitalidade, da sua fertilidade. Ela prova que Aparecida atingiu o objetivo que, no fundo, deveria ser aquele de todos nós: a auto-expressão criadora. “Cada um está em sua obra”, sentenciou certa vez Montaigne. Nada mais justo.


Galinhas D'Angola
Acrílica sobre Tela
52 x 46,5 cm

Comovente em sua candura, Aparecida Azedo criou beleza como quem respira: com naturalidade, simplesmente. Ela viria a ser, nos nossos dias, provavelmente a maior pintora naïf do Brasil, a sucessora de Djanira e Tarsila do Amaral. E isso decididamente não é pouco.

Pintando contos de fadas, ao invés de quadros, Aparecida Azedo há muito deixara os pincéis de lado e adotara, como único instrumento de trabalho, a boa e velha varinha de condão. Daí o título do meu livro, que Zelito Vianna, com sua sensibilidade e generosidade, transformou em documentário indispensável para todos os que queiram de fato conhecer melhor a alma brasileira.

Fonte:
http://www.acessa.com



Brasil - Cinco séculos de lutas


Uma curiosidade sobre o trabalho de Aparecida é a tela gigante exposta permanentemente no MIAN, que mede 1,40m X 25m e cobre as paredes em torno do teto do museu. Ela pode ser vista do segundo andar, onde cartões explicam as cenas históricas encontradas em cada trecho da tela.


Brasil - 500 anos (Cinco séculos de lutas)
Foto: Patricia Ribeiro
MIAN (Museu Internacional de Arte Naif)

O nome da tela, "Brasil - 500 anos (Cinco séculos de lutas)", deixa claro o engajamento de aparecida nas causas sociais.

O painel foi pintado entre os anos de 1991 e 1995 em um único rolo. O quadro traça a história do Brasil desde a chegada dos Portugueses em 1500 até a fundação da capital Brasília.

Veja mais:



Autor: Ivan Alves Filho
Editora: Fundação Astrojildo Pereira
Ano: 2003