segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rosaria Silva



Campo Belo, MG - 1937


E. Rosaria Silva: pintura com alegria

Por Oscar D’Ambrosio


Ter prazer naquilo que se faz é o que existe de mais importante em qualquer profissão. É exatamente isso que diferencia o trabalho da pintora Efigênia Rosaria Silva, que assina os quadros como E. Rosaria Silva. Quando enfoca os mais diversos temas, coloca em todos eles um pouco de sua alma e, acima de tudo, um certo bom humor.

Irmã dos pintores Maria Auxiliadora, Conceição e João Cândido Silva, principais representantes de toda uma família de artistas, ela veio em meados da década de 1940, com sete anos, com os pais e irmãos para São Paulo, SP, onde desenvolveu numerosas atividades até se encontrar como profissional e ser humano na pintura.





Nascida em Campo Belo, MG, foi registrada dia 7 de outubro de 1938, mas foi no dia 5 de março de 1937 que veio ao mundo. Começou a pintar, porém por incentivo da mãe, Dona Maria, no começo dos anos 1970, seguindo a tradição da família e, acima de tudo, encontrando nela um especial encanto para a vida.



Um de seus temas preferidos, as colheitas, poderiam se tornar repetitivos, mas Rosaria busca sempre novas possibilidades, com destaque para os fundos, que a preocupam especialmente, mostrando, assim, a sua consciência plástica de encontrar novas soluções.




É nas colheitas de algodão que apresenta um ótimo resultado, em grande parte pela maneira como aplica pequenas manchas de branco na tela. É o recurso que encontra para encantar com suas composições, que incluem também cenas agrícolas de outros produtos, como café e maçãs.




Seu repertório versátil de temas inclui ainda pescadores, santos, como São Francisco, e algumas cenas diferentes, onde existe toda uma narrativa, desenvolvida imageticamente pelo uso de numerosos personagens que estão disseminados pela tela.

Uma dessas obras, por exemplo, mostra uma imagem de garimpo. Enquanto os adultos prestam atenção apenas na possibilidade de conseguir o ouro, as crianças brincam despreocupadamente ao lado deles, ainda não despertos para a ganância – e os adolescentes começam a entrar na atividade, tendo o que seria seu rito iniciático, ao sair da infância e ingressar no mundo adulto com sua avidez por dinheiro.



Rosaria apresenta ao público um trabalho plástico que encanta pelas cores e pela autenticidade. O fato de gostar de pintar revela, na verdade, um exercício constante de alternativas que fixam um estilo e, ao mesmo tempo, a tentativa constante de não repetir fórmulas.

Se pintar é um prazer, para ser renovado precisa trazer sempre novas dimensões, seja nas variações de cor ou nas formas de composição. No primeiro aspecto, diversos trabalhos vêm se afastando do realismo gerando novos diálogos entre as áreas; no segundo, aproximar algumas figuras para o primeiro plano é uma maneira de impor a si mesma um desafio.




E. Rosaria Silva não é apenas mais uma pintora primitivista ou naïf. Com mais de 70 anos de idade e 30 de pintura, é um exemplo para os novos artistas, muitas vezes acomodados ou sem paixão pelo ato de pegar no pincel e enfrentar a tela em branco. Ela faz isso com prazer e, a cada quadro que apresenta, temos certeza disso.

Fonte: www.artcanal.com.br/oscardambrosio/