sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eli Heil

(Apesar das controvérsias, decidimos incluir a obra de Eli Heil, pelo menos uma parte dela, como arte naif por acreditarmos que se encaixa no universo incrivelmente livre e ingênuo desse tipo de arte).


Eli Malvina Heil nasceu em 1929, na cidade de Palhoça, Santa Catarina. Viveu sua infância e juventude no município vizinho de Santo Amaro da Imperatriz, tornando-se professora de educação física. Oportunamente, mudou-se para Florianópolis, onde lecionou em um colégio da capital, antes de dedicar-se integralmente à atividade artística.





Iemanjá
Pintora, desenhista, escultora e ceramista autodidata, participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Realizou um trabalho único, de difícil classificação, que na XVI Bienal Internacional de São Paulo foi catalogado como “Arte Incomum” (Art Brut). “A arte para mim é a expulsão dos seres contidos, doloridos, em grandes quantidades, num parto colorido”.
Em seu processo de criação utilizou os mais diversos materiais (saltos de sapato, tubos de tinta, canos de PVC, etc.) e inventou inúmeras técnicas.




Um domingo no morro - técnica mista, 70x90cm, 1966



Crítica de arte
(por Roberto Pontual)


Sendo todo o seu trabalho em arte uma forma de conjurar fortíssimas pressões mentais a que está submetida, observa-se nele a presença freqüente de estruturas mandálicas e o recurso à animização do inanimado (o casario se transforma em gente, janelas - olhos nos fixando), além de uma característica fauna fantástica acompanhando esses rostos extremamente intensos em cor, espanto e tensão. É curioso observar ainda, na evolução do desenho e da pintura de Eli Heil, a obediência intuitiva ao rumo de superação do plano pelo espaço tridimencional, inclusive como meio de atenuar a violência alucinatória das figuras que ela diz “saírem” do papel ou da tela, envolvendo-a no ato de criar.




O Morro - técnica mista, 50x70cm, 1982


Assim, após os primeiros trabalhos em superfície inteiramente bidimencional, as pinturas vieram adquirindo relevo no manejo de sulcos na tinta, até chegar ao acréscimo mais recente de bonecos de enchimento aplicados sobre o plano trabalho da tela; nesse caminho, suas peças mais elaboradas são as tapeçarias-objetos atuais, onde continua preservando a deformação ingênuo-espressionista nas máscaras de alucinação violentamente coloridas, como registro direto do inconsciente fluindo.


Fonte: www.eliheil.org.br


Eli Heil não á uma artista naïf, tampouco surrealista. É uma outsider.